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fe_nina

Uma amiga me contou hoje que sua mestruação está atrasada. Embora ela seja louca por crianças e tenha vocação clara para ser mãe, acha – e cada um sabe da sua vida – que ainda não chegou a hora. Ela tem a mesma idade que eu tinha quando engravidei da Marina. A diferença é que eu tomei a decisão de parar de tomar pílula dois anos antes, em condições nada favoráveis para colocar um bebê no mundo. Eu e o Fhabyo morávamos em Lisboa, numa pindaíba daquelas que pode faltar comida mas não falta cerveja na geladeira. Nosso apartamento em Portugal era lindo, com uma parede inteira envidraçada com vista para o Tejo. Mas era um estúdio, sala-quarto, cozinha e banheiro. Sem falar no aluguel, que consumia 85% da nossa renda mensal. Ou seja, nossa vida era uma delícia, mas vivíamos somente o presente, sem pensar no dia seguinte.

Um dia, ouvindo Manu Chao e fazendo faxina na sala (Mano Chao e faxina são como queijo e goiabada, nasceram um para o outro), decidi que era a hora. Terminei de limpar a casa, me arrumei, tomei um chá na livraria “Ler Devagar”, no Bairro Alto e fui até o trabalho do Fhabyo comunicar a decisão. Tão irresponsável e inconsequente como eu, ele adorou a idéia. Começamos então a sonhar com a Marina (nessa época eu já sabia que seria mãe de menina e que a primeira se chamaria Marina).

Voltamos para o Brasil, organizamos a nossa vida e nisso passaram-se dois anos. O bom de ser jovem é isso, a gente nem fica na neura com dois anos tentando engravidar. Em março de 2003, depois de um carnaval etílico na fazenda do Vicente, cheguei em Curitiba e resolvi ouvir os conselhos da Ju, que insistia para que eu fizesse um teste. Deu positivo o de farmácia. As 6h da manhã eu e o Fhabyo estávamos de plantão em frente ao laboratório para fazer o de sangue. As 5h da tarde a Vavá foi comigo buscar. Nascia nesse dia, 6 de março de 2003, a Fernanda-mãe.