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Já falei aqui nesse blog sobre a minha relação com o fraldário do Parkshopping. Realmente é um lugar pensado para receber mães e seus  filhotes. E mais do que isso, é praticamente uma terapia de grupo para mulheres malucas (me incluo nessa categoria) que aproveitam o espaço ter diálogos bizarros com outras mulheres na mesma situação.

Assim que cheguei da praia cai de paraquedas no meio de uma produção de fotos para um catálogo do shopping. Foi ótimo, pq a Olivia e a Maria Inês puderam me acompanhar no expediente. De três em três horas a gente tinha um encontro marcado na sala de amamentação. E foi lá, durante 2 dias e aproximadamente 6 mamadas, que eu descobri o quão absurda pode ser uma conversa entre mulheres que amamentam simultaneamente.

Não sei exatamente o porque, mas o fato é que ouvimos histórias que ninguém contaria numa mesa de bar. E pior, nos pegamos contando coisas de caráter íntimo para pessoas que nunca vimos na vida. Eu não costumo sair por aí abrindo o coração para qualquer um. Mas tem alguma coisa no ato de amamentar ao lado de alguém que amamenta também que nos estimula a falar.

Cheguei a essa conclusão quando percebi que tinha acabado de contar para uma moça de São Bento que meu peito vazou no meio de uma reunião do Boticário. Ela, por sua vez, fez um comparativo detalhado entre fazer parto normal e fazer cocô (é, a parte dela foi pior). Acho que a gente passa tanto tempo amamentando sozinha que quando tem companhia perde um pouco a noção do grau de intimidade permitido entre desconhecidos.

O bom é que ninguém troca e-mails ou telefones. Você sai de lá sabendo o peso do bebê, o nome do pediatra, o hospital em que nasceu a criança, a relação com a sogra, se a pessoa tem bastante leite (odeio essa pergunta) e qual é o signo da família inteira. Mas as identidades são preservadas. É praticamente um código de ética: jamais se pergunta o nome da mãe!

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