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Estes dias li um post de uma mãe que criticava outras mães que deixam seus filhos com babá. Em seguida, muitos comentários demonizando as mulheres que fizeram essa opção. Não é a primeira vez que leio posts do gênero e não é a primeira vez que fico incomodada com isso. Não pela opinião dela. A blogosfera é um espaço aberto e democrático, onde todo mundo fala o que bem entender. O que me deixa indignada é a generalização do tema. Então resolvi deixar aqui meu depoimento, pra mostrar um outro lado da história.

Sim, minhas filhas tem babá!

Sou uma mãe como muitas por aí, que precisa conciliar a vida pessoal com a carreira, sair correndo de uma reunião para buscar na escola, faltar ao trabalho para levar a criança no médico, disfarçar a roupa suja de papinha na frente do cliente e mais um milhão de coisas que dão trabalho mas fazem parte da rotina naturalmente, sem maiores dramas. Vou deixar uma coisa bem clara: trabalho porque preciso, trabalho porque gosto. E tenho orgulho disso. Minhas filhas são felizes e saudáveis, tenho um casamento incrível e me sinto realizada. E sim, sempre tive babás para me ajudar. Elas ganham bem, não são expostas ao trabalho forçado, não levam chibatadas, não usam branco, não dormem na senzala e tampouco são maltratadas. Muito pelo contrário. Sei o quando o trabalho delas é importante e fundamental para a minha vida, por isso trato com muito amor e carinho!

Voltei ao trabalho quando a minha primeira filha completou três meses. Morava a poucas quadras da empresa e tive a sorte de ter uma chefe mãe, compreensiva e que me deu total liberdade de horários. Consegui ficar uns dois meses fazendo meio período e corria para casa de três em três horas para amamentar a Marina até os sete meses. Nessa época quem me ajudava era a Pati. Uma pessoa incrível, carinhosa, cuidadosa e muito responsável. Ela era louca pela Nina e vice-versa. Também contei (e ainda conto) muito com o apoio da minha mãe, que é uma avó fantástica. Tão fantástica que tem uma vida superagitada, cheia de coisas pra fazer e me sinto muito feliz por isso. Mas voltando a Pati… quando ela pediu demissão – para fazer faculdade de pedagogia – não sei quem chorou mais, se fui eu ou ela. Na época, achei que a Marina iria sofrer horrores. Claro que ela sentiu falta no começo. Mas minha mãe me falou, e mães sempre sabem das coisas, que ela iria se adaptar antes do que eu à mudança. Nunca me esqueço das palavras dela: “você é a mãe, é com você que ela tem vínculo. Por mais que ela adore a Pati, ela sabe qual é o papel de cada uma na sua vida”. E foi assim mesmo.

Seis anos depois nasceu a Olivia. Eu já não era uma funcionária, tinha assumido o meu próprio negócio. Em menos de 15 dias já estava trabalhando (em casa) e quando ela fez um mês contratei uma moça chamada Maria Inês. Mais uma pessoa maravilhosa que entrou na minha vida e trouxe muitas coisas boas. Quando a Lili fez 11 meses a mãe dela teve um derrame e ela voltou para o interior. Chorei, me descabelei, achei que agora sim, era o fim do mundo. Que nunca haveria babá igual aquela! Mas eis que surge a Fran com sua motoca, suas receitas de sobremesas estranhas, seu jeitão folgado e crianção e louca pelas minhas meninas.

Então, se você é uma mãe como eu, que precisa e gosta do trabalho, acredite: existem pessoas muito bacanas, que gostam de cuidar de crianças e escolheram isso como profissão. E você não é uma pessoa megera, uma mãe desnaturada nem uma malfeitora que escraviza babás. É simplesmente uma mulher que optou por deixar as crianças em casa ao invés de levar para a creche, que quer trabalhar e acredita que dá pra ser uma boa mãe e ainda assim fazer parte da classe trabalhadora desse país. E, sinceramente, absolutamente nada contra quem faz outras escolhas. Ontem mesmo (em plena segunda-feira) passei a manhã inteirinha em casa pensando em como deve ser bom (também) ter todo o tempo livre para curtir a infância das meninas. São escolhas, só isso!

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