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Aprendi com os meus pais que as coisas boas devem ser sempre comemoradas, de preferência com champanhe. Mas minha comemoração desta vez será o registro, aqui no blog, desta data tão especial. Faz um ano hoje que mudamos para a casa. De manhã, quando acordei e ouvi aquele barulho gostoso de dia amanhecendo, revivi a sensação dos nossos primeiros dias no Santa Cândida. Aquele cheirinho de madeira nova, o som do vento nas árvores, passarinhos cantando. Espaço, muito espaço, caixas e mais caixas, recomeço. Foram 365 dias de descobertas incríveis, de novas amizades, de muitas coisas a fazer, de listas e mais listas de pendências. De plantas para regar, cachorro para alimentar, lâmpadas para trocar, detalhes para concertar, móveis para comprar. O que eu mais gosto disso tudo é a certeza de que tudo, um dia, pode melhorar. Uma casa é a analogia da vida. Você arruma aqui, mas desarruma ali. Vai aperfeiçoando cada cantinho, sem pressa. Gosto de contemplar a paisagem de dentro para fora e de fora para dentro. Descubro que há sempre uma surpresa. Que o final de semana é sempre a melhor parte da vida. Gosto de chegar cedo, de ver as meninas brincando na rua. De saber que sempre tem alguém para me emprestar um ovo, uma frigideira ou um pouquinho de fermento. Gosto de ver a casa cheia de crianças. Gosto de ver a Olivia correndo atrás das meninas grandes. Da Marina saltando pra fora do carro na portaria pra se juntar à turma do caçador. Gosto de sentir as horas. Ver o dia passar atrás dás árvores e deixar que o tempo corra no tempo certo. No tempo do tempo, não no meu tempo. Porque o tempo não é nosso, por mais que a gente tente ser dono dele. Não sei como será o tempo nos próximos tempos, mas prometo fazer valer cada minuto do tempo que tenho.

Pra comemorar, um poeminha de Mário Quintana. Pra sentir sem pensar.

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas! 


Quando de vê, já é sexta-feira! 


Quando se vê, já é Natal… 


Quando se vê, já terminou o ano… 


Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 


Quando se vê passaram 50 anos! 


Agora é tarde demais para ser reprovado… 


Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 


Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas… 


Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo… 


E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. 


Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. 


A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

ps – a ilustração acima se chama Alicia e é e uma artista argentina chamada Virginia Piñon. Roubei do site Mirondo Arte

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